Faltam apenas 10 dias para a Flora completar seus nove meses fora da barriga. Nenhum livro que eu leio sobre bebês realmente traduz a imensidão da vivência de um ser que cuida e educa um novo ser. Aspectos novos surgem a todo instante, e é preciso lembrar-se de ser o exemplo, e de que ser mãe, é ser uma pessoa com quem o bebê se relaciona; capaz de doar, mas que precisa ser capaz de educar. Amor, lei e grandes obras. Aonde mesmo ouvi isso?
Hoje é um dia especial. Dia de Iemanjá. Dia do Mirena.
Flora dorme, depois de um jantar delicioso que fiz pra ela. Antes, no final da tarde, me queria o tempo todo,
fosse como fosse, a minha atenção deveria ser dela, somente. E como lhe dei atenção. E como brincamos, cantamos, e nos divertimos! E por vezes, com o pai por perto, ainda era possível me desvencilhar. Mas quando enfim ele saiu...
Então, ficamos só nós duas. E como nada a aquietava, coloquei-a no berço, e por alguns minutos ela ficou bem, no esforço de aprender a se levantar dali. Quando isso efetivamente lhe pareceu impossível, ela decidiu que eu deveria ser sua solução. Fiquei ao lado dela algum tempo, conversei. Ao sair um pouco de perto, chorava forte. Até que decidi então que eu não sucumbiria ao choro, pois ela já tinha comido, já tinha mamado, já tinha sido trocada, estava feliz e sadia e eu acredito que preciso ensiná-la que não posso ser dela todo o tempo, e ela precisa compreender, gradualmente, em algumas situações diárias, que nem sempre o meu desejo é o desejo dela, e que somos seres separados. Muitas vezes isso é muito difícil, pois coração de mãe é mesmo o que todo mundo diz.
Mas sei da importância de minhas atitudes nesse momento definitivo da vida dela. E fiquei firme quanto a não pegá-la, e ela chorou muito. Mas ao final, quando enfim a chupeta lhe serviu de consolo, ela dormiu um sono sereno e eu agradeci todas as forças superiores que me guiam e protegem.
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